Monday, July 27, 2009

Blog da Soninha - Reunião com o pessoal da "Varrição"

Pra entender:
"O café da manhã de hoje (toda segunda fazemos um encontro com algum setor da Subprefeitura) foi com o pessoal “da varrição”, como eles mesmos dizem – funcionários da Supervisão de Limpeza Pública, que pertence à Coordenadoria de Infraestrutura Urbana e Obras (CIUO)."

"O motivo desses encontros é ter a oportunidade de, ao menos uma vez, conversar com todo mundo que trabalha aqui. Cada um fala de onde veio, há quanto tempo está na prefeitura e na Sub, o que já fez na vida e no serviço público, quantos filhos tem (e netos, bisnetos), qual era o sonho de infância, qual o talento secreto... E fala um pouco do trabalho em si, das dificuldades e aspirações"

O que me chamou atenção foi essa parte aqui:

"Na turma de hoje, bem numerosa, o que mais chamou a atenção foi a quantidade de gente que disse que não teve nenhum sonho na infância. “Nem deu tempo” foi a resposta mais comum. Um pessoal sofrido, calejado, que começou a trabalhar com 9, 12 ou 15 anos, passou pela roça, quase não estudou... Que no máximo sonhava “melhorar de vida” – ter “um carrinho, uma casinha”. Que não se lembrou de nenhum talento. "

Não deu tempo. :(

Eu sempre me perguntei se conseguiria atingir meus sonhos. Achei que todos tinham esse dilema. Eu sonho em ser X, será que vou ser? Eu sonho em trabalhar como Y. Quando crescer, quero ser Z.

Infelizmente, o pessoal da "Varrição" não tem esse problema. Eles não puderam sonhar. Estavam vivendo, instead. Ou sobrevivendo.

Em tempo: http://gabinetesoninha.blogspot.com/

Sunday, July 26, 2009

Porque o Ronaldo é diferenciado FORA de campo.

Alguns motivos:

1- Ronaldo marca seu primeiro gol na volta aos gramados, contra o Palmeiras. Ainda em campo, no final do jogo, fez questão de mencionar a presença da torcida do Palmeiras no estádio.

2- Final do Paulista. Em sua primeira declaração à imprensa, desceu o sarrafo na organização da cerimônia de entrega no troféu. Imprensa e FPF, alvos das críticas, botaram o rabinho entre as pernas e ouviram tudo caladinhos. Foi lindo.

3- Final da Copa do Brasil. Ronaldo critica a falta de infra-estrutura do Corinthians. Sem o Parque São Jorge, que está passando por reformas, o Corinthians treina no horrível "CT" (entre aspas) do Parque Ecológico. Chega a ser ridículo.

4- Final da Copa do Brasil. Os jogadores receberam camisas roxas comemorativas para usarem depois do jogo. Ronaldo não vestiu a camiseta, apesar de ser uma oficial da Nike. Ele sabe que a parceria Ronaldo-Corinthians só existe porque ele completa seu salário com os patrocinios da camisa. Imagine como você se sentiria se pagasse um patrocinio por causa do Ronaldo e, quando todos os holofotes vão filmá-lo, ele tampasse sua marca com outra camisa. Ronaldo, mais que esperto, é um bom profissional.

Quando crescer quero ser igual a ele.

Wednesday, July 1, 2009

Melhor escreve Clovis Rossi

Na mesma folha de "hoje" (já passou da meia noite aqui em San Diego), Clovis Rossi analisou em mais detalhes a postura Americana com relação a crise em Honduras. Concordo com ele até o ponto em que coloquei abaixo (o restante do texto tem uma visão muito enviesada sobre o papel do Brasil, que não concordo).

Vale a pena ler essa parte:

"Desde o fim do ano passado, quando os países da América Latina e do Caribe criaram uma espécie de OEA do B, sem os Estados Unidos, havia uma justificada celebração pelo fato de que os Estados Unidos já não eram presença obrigatória nos assuntos da região.
Pena que o festejo pareça agora algo prematuro, com a crise em Honduras: se os militares hondurenhos não levassem a sério o afastamento dos EUA, talvez o golpe não tivesse acontecido.
Afinal, o próprio presidente Manuel Zelaya disse ao jornal espanhol "El País", na noite de sexta-feira, ou seja, pouco mais de 24 horas antes do golpe: "Se agora estou aqui sentado, na Casa Presidencial, falando com você [o jornalista espanhol], é graças aos Estados Unidos". Alusão às gestões norte-americanas para demover os militares de rebelar-se contra o presidente constitucional.
Já houve momentos -de que a Folha foi testemunha ocular e direta- em que gestões norte-americanas evitavam golpes: no plebiscito no Chile sobre a permanência ou não do ditador Augusto Pinochet no poder, em 1988, a Embaixada dos EUA chamou jornalistas na véspera para deixar claro que estava informada de manobras para fraudar o resultado e pronta para derrubá-las.
Derrubou-as, Pinochet perdeu o plebiscito e, no ano seguinte, deixava o poder.
Essa diferença de situação não quer dizer que a América Latina deva sentir saudades do intervencionismo americano. Afinal, o movimento mais recente de Washington fora na direção oposta tanto à do caso chileno de 88 como à do hondurenho agora: o governo George W. Bush apoiou o golpe que, por 48 horas, tirou Hugo Chávez do poder, em 2002."